terça-feira, 31 de janeiro de 2017

SEM A MÚSICA, A VIDA SERIA UM ERRO - NIETZSCHE

 SEM MÚSICA, A VIDA SERIA UM ERRO - NIETZSCHE




Sempre olhei para o céu antes de por os pé para o mundo, e, sempre ao retornar para meu lar ( dentro de mim mesmo ) ou construído temporariamente com tijolos; olho para cima e busco a noite.

Mas essa cadência segue os meus pulsos desde que abro os olhos e mesmo que derramado na cama, meu corpo já pede melodia.

Sempre haverá melodia dentro e fora de mim, e de você também.

Fecha teus olhos e lembra da primeira paixão que você teve, e qual música embalou-a?

O primeiro beijo?

A primeira e real boa transa?

A viagem que fez de retorno para alguem?

Ou quando o avião decolou pela primeira vez?

Teu primeiro filho ou filha?

O primeiro peludo em sua casa?

A discussão que embalou a separação temporária?

A dor da perda do amor não correspondido?

A dor da perda do amor correspondido?

Aquela pessoa que partiu e não deu tempo de te abraçar?

A passagem de ano, a passagem de tua vida?

Então eleja músicas que sejam somente tuas, que não devam ser compartilhadas com mais ninguém.

Elas devem ser um santuário teu.

Você deve residir nelas por quase toda tua vida.

Tenha em sua essência que somos vibrações.

E sinceramente?

A vida seria uma grande merda sem melodia, sem você e sem suas notas favoritas.



segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

QUANDO VOCÊ NÃO É DE NINGUÉM




Paulo conseguiu guardar o porta retratos.

Mas sempre que adormecia , entrava dentro , após a moldura de madeira e olhava o mundo através do papel que se tornou.
E o papel filme em que marcou um momento de sua vida e de Carolina sentados à pedra vendo o sol nascer.

Paulo não conseguiu sair .
Ainda ao dormir deixava o coração guiar sua essência para longe de tudo mas muito perto de Carolina, que o trocou , não por 30 moedas...

Paulo!
Paulooo! 
Acorda amigo.
O copo com Black Label está entre os dedos, e o gelo informa que está pronto.

Busca no fundo do copo uma pedra, talvez alguma que faça a boca acordar para novos sabores.
Respira e diz finalmente.

- Acho que já chega não?
Aceno com a cabeça.
- Sabe quando realmente estamos bem?
Ele olha para sua mão ainda recentemente marcada pela aliança.
- Quando dizemos com coração " quero estar "... e não preciso dele, dela..

Paulo deu a última talagada no copo de whisky, deu um beijo em meu rosto e ganhou a rua.

Amigo tem que aguardar os amigos que saem por aí , para bem longe do próprio ninho que construíram; não porque sejamos pretensos pais, mas sim, porque estamos lá no outro galho pilhando para que voe também.

Paulo sumiu por mais de mês.

Não disse nada,mas a foto no "Insta" disse tudo.

Uma selfie com o mundo abaixo de si, um sorriso que  há tempos não existia em seus olhos.
Paulo e o mundo. Bem vindo meu amigo!



sábado, 31 de dezembro de 2016

2016 ENCERRA











Este ano foi.
E foi um dos mais difíceis em que pode caminhar sobre o asfalto.
Sei que muitas vezes o calor que sentiu vindo da terra, não subiu pelos seus pés,
mas veio através do teu rosto em mais uma queda que sofreu.

Ninguém nesta terra tem a exata dimensão ou do vazio que encontrou-se
ou da  escuridão de alguns dias extensos em que teve que caminhar tateando o vento.

Faltou-lhe alimento algumas vezes,
restou-lhe alguns trocados em moedas na mão.

Quantas vezes deitou sem travesseiro e deixou que as lágrimas molhassem a cama?
Ou os óculos escuros que esconderam as olheiras da vida sobre teu rosto embora cansado, persistente em seguir em frente?

Mas, você seguiu em frente. Mesmo sabendo que somente lhe restava uma única direção.
E, não importa a velocidade imposta, mas a força de cada passada firme.

E você chegou aqui, exatamente aqui.

Olhando para trás.E ,lá para baixo.

E veja o campo minado,
as tormentas para trás,
a chuva avassaladora na colina,
o deserto atrás do rio,
o mar revolto que atravessou.

Mas veja aquela casa singela , teu posto de descanso e sono profundo.
Veja quantas conquistas pequenas ,
olhe para suas mãos calejadas.

Você não esteve só,
havia dentro de si uma voz, ou uma canção ou um xamã te acompanhando.

Então , saiba o que está vivo e ativo.
Endurecido porém não bruto.
Alerta mas não ansioso.

Sigamos mais um tanto.
Este novo Ano te apresenta você!

Você é o melhor resultado de tudo que lhe ocorreu nestes dias.
É você, o melhor felicitado , aquele que ninguém poderá declinar, ou dizer que não conseguiu.

Você está aqui,lendo tua pequena página da história.
Agora, segue em frente, e saiba cada momento o quanto lhe trouxe fortaleza de espírito, calmaria e resignação.

Quero que seja feliz.
Quero que siga sempre em frente.
Quero que sorria teu sorriso e não o dos outros.
Quero que seja você.

Eu lhe desejo, Vida! E seja você tua melhor parte da história diária que constrói.

Feliz 2017

terça-feira, 29 de novembro de 2016

CHAPECÓ



Mães!
Hoje nós não voltaremos para casa.
A nossa entrada no portão está adiada.
Temos ao nosso lado pessoas tão boas que estão conosco agora. E , nos fazem tão mas tão bem...

Mães!
Hoje não iremos falar muito.
A nossa entrada para a sala está adiada.
O beijo, aquele da face e da testa, ficarão para outros dias.

Ficam nossos beijos mães!

E que as senhoras nos abençoem !

Obrigados mamães.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

ALESSANDRA




A vida é também esse grande amontoado de horas...

E em algumas delas , que já nos visitaram a porta ou o travesseiro , deixam recados em nossa alma ou coração.

Beto novamente sentado ao banco olha as letras que caem à sua frente.

...é letra de música, são letras escritas digitalmente, são sentimentos diversos.

Beto respira fundo, buscando no silêncio , um refúgio temporário para entender.

Ele sente muito bem seus sentimentos internos, e sabe que não causará mal algum às pessoas que ama e admira.

Dentre essas tem uma em especial.

Beto teve muita dor de garganta pela sua vida...

Talvez porque acreditou que o silêncio poderia falar muito mais,

ou porque não dosava às vezes a voz que vinha de dentro, vindo em tom de alegria, som e fúria.

Algumas vezes eram as gripes , eram os ossos que doiam, ou o cabelo que caia.

Beto, quase sempre em seu silêncio.

Resolveu pelo menos dizer talvez não o que sentia, mas o que não sentia, o que não lhe cabia, o que não lhe pertencia.

E assim a voz de dentro representou .

Beto olha para o vento no rosto, a garoa que bate na cara, e a vontade de dizer com doses de carinho, respeito e ternura palavras para Alessandra.

Mas, ele sabe que o coração é sincero e nunca ofensivo. E deixa claro em sua objetividade sobre sua história de vida e não a dos outros, pois ele mensura e sabe de sua dor, e somente imagina e respeita a dor alheia.

Beto ficou ali, no banco.

Não esperando. Mas ...

sábado, 15 de outubro de 2016

PARA ANA


...Ontem foi dia de ouvir música no meio da chuva,
dentro do carro...

E é a primeira vez que Beto lembra de Ana.
Lembra da voz ao telefone, escondendo um sorriso, da conversa afiada entre ambos.

Beto arrisca dizer o sorriso dela,
o sorriso, o mexer dos cabelos...

Beto busca então nos dias futuros saber mais de Ana.

Eles hoje não podem estar juntos, arriscados...

Mas Beto soube no exato momento quando olhou os olhos de Ana,
vendo além da mulher e da mãe maravilhosa que habita.

Viu acima do sorriso, da voz .

Ana tem muito dentro de si, e Beto respeitará o tempo necessário para admirar.

Ana sorri quando recebe sinais dele.

Ana, lá no fundo , quer saber qual Beto a ela pertence...

( para você meu Amigo Beto, que nunca perdeu a coragem )


segunda-feira, 10 de outubro de 2016

ANA







Ana, a banana?

Ana ralou pra cacete, chegar à sua primeira faculdade.

Se ferra desde cedo demorando 120 minutos para o trabalho, e mais 120 para a aula.
Ana sai na segunda , para voltar pra casa na terça.

Se vira Ana, quem mandou cursar faculdade e ainda mais psicologia?

Se resolve Ana, antes que a vida engula você sem cuspir a semente.

Mas, de uns tempos pra cá Ana vem percebendo que está mais esbelta, silhueta mais magra e mais e mais.

E já se vão 5, 7, 9 kilos a menos do corpo. Vai massa gorda ( eba ) e lá vai também a massa magra ( fodis!!! ).

Come e come e emagrece, sono em qualquer lugar, memória pior que queijo suiço.
Ana corre pra lá em médico e corre pra cá...

Ana está com imunidade na sola do sapato. Se alguém falar a palavra espirro, lá está Ana gripada.

E lá vai Ana achar o médico, e lá vai a notícia que faz Ana sentar na calçada e pensar na vida, na dela.

Tratamento importado, injeçoes e depois radio e quimio se não vingar.

As economias de Ana vão pro ralo. Como um pouco de sua esperança e vontade.

Internações, transfusões de sangue, dentes ruins, sangramento de gengiva. Ana faz uma , duas, três colonoscopias, quatro...

Cabelos ainda não cairam, que sorte hein Ana.

Ana está com dores de cabeça, náuseas e segura a bronca sozinha, sem nada contar para a familia.

Apoia se no que dá e no que pode. Sem grana, sem comida certa e por aí vai...

Ana está na sala de aula, e está em seu canto e mundo.

Ana com dores tremendas do Everest em altura e tamanho.

Mas são só as dores de Ana.

Ana reclama com a sala, que mais parece um circo com mercado de peixe com professora em sala.

Ana já não é querida por isso, mas ela não se importa, pois sabe que ela já está lá na frente quando se percebe como alguem que ama o proximo pela sua dignidade e sua dor.

Ana vira chacota para alguns, que futuros psicólogos, fazem justamente o que qualquer " ser " medíocre faz sem promover saúde, não escuta, não dá voz e não reconhece a dor silenciosa do outro.

Ana está doente, mas Ana segue em frente...Ana não pode perder tempo.

" os cães ladram, e a caravana passa" .