terça-feira, 24 de maio de 2011

AO RETORNO DO CAIRBAR

...hoje ao retornar para casa, olhei para o alto, para cima,
fugindo da poluiçao e nuvens, pessoas e sons...
Percebi ( mais uma vez ), olhando para rostos distantes,
olhos brilhantes em misto de dor, medo, desespero e esperança,
a necessidade de ser querida neste exato momento ou arrebatado (a) por uma uma força
acima de nós, ...
...pessoas pedindo para aliviar um pouco a carga nos ombros,
ou morte temporária da saudade do filho, que partiu, do marido que quebrou a promessa de viver para sempre, do amor não concretizado, do vício frenético de quem se ama,
da falta de recursos, da fome, do telefone mudo, da miséria do mundo...

Olhos restando um pouco de esperança,
pessoas buscando respostas, ou um abraço,
gente que entra em sala de cabeça baixa, ou soliçando baixinho,
mães com mãos dadas de palmas postas abraçadas em uma foto,
lágrimas trêmulas de olhos fechados buscando do lado de lá
o que se pede e se necessita na vida de cá...

Vi várias mãos pousando sobre cabelos,
toques levíssimos de dedos sobre os ombros,
lágrimas sendo secas discretamente,
olhos cerrados buscando concentração
enquanto alguém  traz de dentro de si uma prece, uma fala,
palavras ditas com carinho e zelo de quem quer bem.

Suspiros, choros breves, sonos, ausências,
sorrisos de agradecimento,
pedidos de paz, bençãos de despedida...
A sala cheia,
o silêncio reinante,
mas a ordem estabelecida,
talvez a dor aplacada,
o espírito enobrecido,
e a recomposição de uma fé somente sua.

Pessoas partem, deixam a sala humanamente vazia,
mas deixam ali seus corações de mães, pedindo de forma cristalina por todos...
Os cardernos com nomes, endereços, súplicas e preces.
Pedidos, desejos, agradecimentos.

Volto para casa, sabendo que o trabalho incessamente do MESTRE
não se interrompe nunca.
Volto para casa, trazendo um pouco do pranto mas com muito da fé renovada de todas essas pessoas,
para mais um dia, para mais uma vida

( sala de passe do centro espírita )

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