segunda-feira, 22 de agosto de 2011

TRECHO DE MEU LIVRO

Um breve espaço de tempo

Poderá existir Céu sem aqueles a quem amamos?

                                                                                                     Aniceto -

              Alguns dias passaram depois da Luciana...

Busquei aquela foto antiga, carregada de saudade. Senti-a nas mãos com cuidado como se fosse meu primeiro filho. Aproximei-me o melhor que pude e vi estampado nos rostos de cada um a alegria de estar ali, participando daquele momento, fazendo parte de um passado para ser visto em um futuro.

 Talvez esta seja a função das fotos...

Prender um passado, para ser visto em algum futuro.

Prender um momento de alegria pois não sabemos o quanto irá durar...

Fechei os olhos buscando aquela maresia, e senti o sol sob meu rosto, senti meus pés sobre a grama que brigava por um espaço entre a areia. De quem era aquele perfume mesmo?

E no sorriso da Tê brilhava uma resposta.

Você, está rindo do quê?

E pra quem?

Mas vocês continuam a sorrir, pra mim.

A conclusão que chego é que cada um de nós irá crescer um dia, mais cedo ou mais tarde, é inevitável, e se tivermos sorte em possuirmos pessoas de valor em nossas vidas, não a perderemos de vista, mas cada uma tomará sua estrada. Talvez este seja o medo de cada um de nós quando somos jovens e possuímos uma turma.Por isso por medo talvez inconsciente tiramos fotos e perpetuamos o que iria um dia se dissipar nas nossas memórias.

Se Deus permitir que possamos viver muito ainda lembraremos  a turma esta, tão grudada  que sabemos o que cada um tem pela simples entonação de um simples ‘a”. mas se tivermos muita, mas muita sorte mesmo estas pessoas estarão conosco, sempre basta um pouco de esforço nosso para mantermos esta corrente, estarão sempre em nossos corações, nas nossas palavras.

Olho para mim, e como mudamos, como pensamos  diferente.

Mas o que sempre me disseram, que o segredo de não perder a criança que há em cada um é sorrir para as adversidades, nunca fechar o rosto e nunca dizer para os pequeninos que sonhos são bobagens, não, não o são de forma alguma. Por mais que pareça nebuloso nosso horizonte o tempo muda, o sol aparece, tudo passa, tudo passa.

E retiro meus olhos por segundos de nós mesmos entre meus dedos, e observo o céu e claro que não é o mesmo, é melhor, mais bonito e sabem por quê? São as mesmas nuvens de formas diferentes, é o mesmo tempo mas meus olhos mudaram, mudaram a forma de ver as coisas, de encarar o tempo, de sentí-lo, de apreciá-lo, da forma que vejo as pessoas nas ruas, das crianças, pois eu perdi o medo, perdi o medo de mim mesmo, pois acrescentei à minha fé a vontade.

O suspiro que dou é de uma saudade gostosa, daquela que sabemos que encontraremos quem amamos.

 Mas porquê este sorriso maroto no rosto de cada um de vocês, parecem que estavam preconizando alguma coisa....

Pena que minha ficha sempre demorou pra cair.

Sinto uma mão em meu ombro.

A Liege abre um belo sorriso pra mim e pede para me juntar à turma, a Cláudia está preta de tanto sol e Caraguatatuba não está tão cheia.

Guardo vocês comigo, porque minha vida ainda é aqui e preciso vivê-la da melhor forma possível enquanto estou aqui com eles e não menos com  vocês também.






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