terça-feira, 17 de janeiro de 2012

CHAPTER 04

Poderá existir Céu sem aqueles a quem amamos?

                                                                                                  André  Luiz

Alguns dias passaram depois da Luciana...
Dias sem Luciana.
...sem emprego.
Por isso mesmo resolvi respirar um pouco, além de matar a saudade com minha família, mamãe me puxando a orelha por pular de paraquedas, o pai somente rindo e dando de ombros e o Betinho com namorada só tirando sarro de mim, caí na estrada.
E segui para o mar.
Busquei aquela foto antiga, escondida de mim mesmo, no fundo do móvel dos cds, aquela foto tirada sem aviso , carregada de saudade. Senti-a nas mãos com cuidado como se fosse meu primeiro filho. Aproximei-me o melhor que pude e vi estampado nos rostos de cada um uma alegria absurda, uma alegria por estar ali, participando daquele momento, fazendo parte de um passado para ser visto em um futuro, pois as fotos tem esta função, de trazer-nos força para os dias mais difíceis.
 Fechei os olhos buscando aquela maresia, e senti o sol sob meu rosto, senti meus pés sobre a grama que brigava por um espaço entre a areia. E...de quem era aquele perfume mesmo?
E no sorriso da Tê brilhava uma resposta.
Aproximei meus olhos mais ainda tentando entrar naquele pequeno pedaço de papel mas com um valor inestimável...Você, está rindo do quê?
E pra quem?
Mas vocês continuam a sorrir, pra mim.
A conclusão que chego é que cada um de nós irá crescer um dia, mais cedo ou mais tarde, é inevitável, e se tivermos sorte em possuirmos pessoas de valor em nossas vidas, não a perderemos de vista, mas cada uma tomará sua estrada. Talvez este seja o medo de cada um de nós quando somos jovens e possuímos uma turma.Por isso por medo talvez inconsciente tiramos fotos e perpetuamos o que iria um dia se dissipar nas nossas memórias.

Se Deus permitir que possamos viver muito ainda lembraremos  a turma , tão grudada  que sabíamos o que cada um tinha pela simples entonação de um simples ‘a”. mas se tivermos muita, mas muita sorte mesmo estas pessoas estarão conosco, sempre basta um pouco de esforço nosso para mantermos esta corrente, estarão sempre em nossos corações, nas nossas palavras.
Olho para mim, e como mudamos, como pensamos  diferente ma sempre mantendo a criança dentro de nós.
Mas o que sempre me disseram, que o segredo de não perder a criança que há em cada um é sorrir para as adversidades, nunca fechar o rosto e nunca dizer para os pequeninos que sonhos são bobagens, não, não o são de forma alguma. Por mais que pareça nebuloso nosso horizonte o tempo muda, o sol aparece, tudo passa, tudo passa.

E retiro meus olhos por segundos de nós mesmos entre meus dedos, e observo o céu e claro que não é o mesmo, é melhor, mais bonito e sabem por quê? São as mesmas nuvens de formas diferentes, é o mesmo tempo mas meus olhos mudaram, mudaram a forma de ver as coisas, de encarar o tempo, de sentí-lo, de apreciá-lo, da forma que vejo as pessoas nas ruas, das crianças, pois eu perdi o medo, perdi o medo de mim mesmo, pois acrescentei à minha fé a vontade.

O suspiro que dou é de uma saudade gostosa, daquela que sabemos que encontraremos quem amamos.
 Mas porquê este sorriso maroto no rosto de cada um de vocês, parecem que estavam preconizando alguma coisa....
Pena que minha ficha sempre demorou pra cair.
Sinto uma mão em meu ombro.
A Liege abre um belo sorriso pra mim e pede para me juntar à turma, a Cláudia está preta de tanto sol e Ubatuba não está tão cheia.
Não é a mesma praia, o tempo e as pessoas são outros, mas todos importantes e essenciais.
Guardo vocês comigo, porque minha vida ainda é aqui e preciso vivê-la da melhor forma possível enquanto estou aqui com eles e não menos com  vocês também.
Mas sei que Deus não permitirá que nenhuma pessoa possa ser infeliz, pois quer queira quer não, a nossa missão um dia é sermos felizes.
Tirei somente alguns dias para descansar, mas os enfrentamentos ainda se encontram em São Paulo.

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