terça-feira, 20 de maio de 2014

SE VOCÊ VAI SE DESPEDIR , POR QUE PASSOU PERFUME?








Ana desligou seu Iphone.

Não quis mais ver  a foto, que era música, que era lembrança, que era sorvete, que era rua, 

que era o carro, que era estofamento, que eram óculos escuros, que era praça Alm. Calixto, que era Avenida Paulista, que era farol fechado e beijo roubado, que era lágrima.

Ana escolheu o medo.
Não o lado errado.

Mas Ana esqueceu de uma coisa.
Passou seu perfume, mas não era encontro, seria despedida!

Então Ana, abraçou seu pequeno amuleto no painel do carro.
O Sol esquentava a tarde, mas não era suficiente.

Não havia trânsito.
Ana não desceu do carro.

O vidro dali para dentro era seu mundo, uma pequena trincheira.

Olhou em seus olhos.

Beijou mais uma vez.

Ana escolheu: o medo.

Olhou os pés calçados naquela bota carmim bonita que ele trouxe de Minas.

E ele não olhou para trás.

Ana chorou, Ana escolheu, não errou, mas novamente ficou ao lado do medo.





sábado, 17 de maio de 2014

UM NÃO ENCONTRO




Duas e meia da manhã...
Olhei para o alto e não vi sacada, nem vento.
Busquei olhar o celular, mas não faltou coragem, havia silêncio em demasia.

Busquei ao fechar os olhos, sentir novamente quando sua voz interpelou a minha.
...quando tua mão buscou minha perna,
quando tua voz macia atravessou uma muralha e pousou em meu ouvido.
...quando tua boca veio ao meu encontro, forçosamente como você desejou, como você quis.

Sim, eu sou teu homem.
Não como passado ou futuro, mas alguém que te faria mulher, ainda mais.

As mechas vem sobre minhas mãos, da mesma forma que degusto esta cerveja importada belga...
O suor do copo deveria ser o suor do teu corpo ao meu.

Um único beijo e despertou desejos fronteiríssos.
E você perdeu-se, afogada no próprio medo.
E com medo, você atacou a causa da tua vontade.

O teu chão se abre e você se perde quando cruza teus olhos com os meus.
São fornalhas não só de desejo, mas de vontade ao sonho.

E você em outros braços pensa em mim.
E quando adormece, visita-me aos pés da cama vazia.
...pois estou fora. buscando as mechas, o sorriso e a voz morna.

A cerveja encerra.
A mulher de moreno me acena.
O celular desliga.
Eu olho, a tela vazia.

E quantas vezes estive tão perto.
E quantas vezes você se sabotou.
Por quanto ainda não quer ser feliz, mesmo que por alguns momentos juntos!

São letras, é tua voz trêmula,
teu perdão pedindo que eu te carregue e te dê paz de um homem!
Estas letras são para ti.

Deste silêncio que invade teu coração,
do desejo que treme seu corpo,
e do medo que tem em se entregar.

Um beijo, um abraço apertado para você sentir  meu calor,
amor e carinho,
consideração e vida!

Com amor!

terça-feira, 13 de maio de 2014

O PÁLIDO PONTO AZUL




Nós Estamos Aqui: O Pálido Ponto Azul (tradução)
Carl Sagan

A espaçonave estava bem longe de casa. Eu pensei que seria uma boa idéia, logo depois de Saturno, fazer ela dar uma ultima olhada em direção de casa.

De saturno, a Terra apareceria muito pequena para a Voyager apanhar qualquer detalhe, nosso planeta seria apenas um ponto de luz, um "pixel" solitário, dificilmente distinguível de muitos outros pontos de luz que a Voyager avistaria: Planetas vizinhos, sóis distantes. Mas justamente por causa dessa imprecisão de nosso mundo assim revelado valeria a pena ter tal fotografia.

Já havia sido bem entendido por cientistas e filósofos da antiguidade clássica, que a Terra era um mero ponto de luz em um vasto cosmos circundante, mas ninguém jamais a tinha visto assim. Aqui estava nossa primeira chance, e talvez a nossa última nas próximas décadas.

Então, aqui está - um mosaico quadriculado estendido em cima dos planetas, e um fundo pontilhado de estrelas distantes. Por causa do reflexo da luz do sol na espaçonave, a Terra parece estar apoiada em um raio de sol. Como se houvesse alguma importância especial para esse pequeno mundo, mas é apenas um acidente de geometria e ótica. Não há nenhum sinal de humanos nessa foto. Nem nossas modificações da superfície da Terra, nem nossas maquinas, nem nós mesmos. Desse ponto de vista, nossa obsessão com nacionalismo não aparece em evidencia. Nós somos muito pequenos. Na escala dos mundos, humanos são irrelevantes, uma fina película de vida num obscuro e solitário torrão de rocha e metal.

Considere novamente esse ponto. É aqui. É nosso lar. Somos nós. Nele, todos que você ama, todos que você conhece, todos de quem você já ouviu falar, todo ser humano que já existiu, viveram suas vidas. A totalidade de nossas alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e saqueador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e plebeu, cada casal apaixonado, cada mãe e pai, cada crianças esperançosas, inventores e exploradores, cada educador, cada político corrupto, cada "superstar", cada "lidere supremo", cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali, em um grão de poeira suspenso em um raio de sol.

A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pense nas infindáveis crueldades infringidas pelos habitantes de um canto desse pixel, nos quase imperceptíveis habitantes de um outro canto, o quão frequentemente seus mal-entendidos, o quanto sua ânsia por se matarem, e o quão fervorosamente eles se odeiam. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, em sua gloria e triunfo, eles pudessem se tornar os mestres momentâneos de uma fração de um ponto. Nossas atitudes, nossa imaginaria auto-importancia, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, é desafiada por esse pálido ponto de luz.

Nosso planeta é um espécime solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Na nossa obscuridade, em toda essa vastidão, não ha nenhum indicio que ajuda possa vir de outro lugar para nos salvar de nos mesmos. A Terra é o único mundo conhecido até agora que sustenta vida. Não ha lugar nenhum, pelo menos no futuro próximo, no qual nossa espécie possa migrar. Visitar, talvez, se estabelecer, ainda não. Goste ou não, por enquanto, a terra é onde estamos estabelecidos.


Foi dito que a astronomia é uma experiência que traz humildade e constrói o caráter. Talvez, não haja melhor demonstração das tolices e vaidades humanas que essa imagem distante do nosso pequeno mundo. Ela enfatiza nossa responsabilidade de tratarmos melhor uns aos outros, e de preservar e estimar o único lar que nós conhecemos... o pálido ponto azul.

THE PALE BLUE DOT








We Are Here: The Pale Blue Dot - CARL SAGAN

The spacecraft was a long way from home. I thought it would be a good idea, just after Saturn, to have them take one last glance homeward.

From Saturn, the Earth would appear too small for Voyager to make out any detail. Our planet would be just a point of light, a lonely pixel hardly distinguishable from the other points of light Voyager would see: nearby planets, far off suns. But precisely because of the obscurity of our world thus revealed, such a picture might be worth having.

It had been well understood by the scientists and philosophers of classical antiquity that the Earth was a mere point in a vast, encompassing cosmos -- but no one had ever seen it as such. Here was our first chance, and perhaps also our last.

So, here they are: a mosaic of squares laid down on top of the planets in a background smattering of more distant stars. Because of the reflection of sunlight off the spacecraft, the Earth seems to be sitting in a beam of light, as if there were some special significance to this small world; but it's just an accident of geometry and optics. There is no sign of humans in this picture: not our reworking of the Earth's surface; not our machines; not ourselves. From this vantage point, our obsession with nationalism is nowhere in evidence. We are too small. On the scale of worlds, humans are inconsequential: a thin film of life on an obscure and solitary lump of rock and metal.

Consider again that dot. That's here. That's home. That's us. On it, everyone you love, everyone you know, everyone you've ever heard of, every human being who ever was lived out their lives. The aggregate of all our joys and sufferings; thousands of confident religions, ideologies and economic doctrines; every hunter and forager; every hero and coward; every creator and destroyer of civilizations; every king and peasant, every young couple in love; every mother and father; every hopeful child; every inventor and explorer; every teacher of morals; every corrupt politician; every supreme leader; every superstar; every saint and sinner in the history of our species, lived there -- on a mote of dust suspended in a sunbeam.

The Earth is a very small stage in a vast cosmic arena. Think of the endless cruelties visited by the inhabitants of one corner of this pixel on the scarcely distinguishable inhabitants of some other corner. How frequent their misunderstandings; how eager they are to kill one another; how fervent their hatreds. Think of the rivers of blood spilled by all those generals and emperors so that in glory and triumph they could become the momentary masters of a fraction of a dot. Our posturings, our imagined self-importance, the delusion that we have some privileged position in the universe, are challenged by this point of pale light.

Our planet is a lonely speck in the great enveloping cosmic dark. In our obscurity -- in all this vastness -- there is no hint that help will come from elsewhere to save us from ourselves. Like it or not, for the moment, the Earth is where we make our stand.

It has been said that astronomy is a humbling and character-building experience. There is perhaps no better demonstration of the folly of human conceits than this distant image of our tiny world. It underscores our responsibility to deal more kindly with one another, and to preserve and cherish the only home we've ever known: the pale blue dot.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

A PEDRA A FACA O ARAME E A PÓLVORA









Será que a fome caminha com a violência?
Será que o livro não lido gerou a discriminação?
Eu sei aonde meus pés irão me direcionar, mas hoje , mas, e amanhã?
Será que terei que vigiar meus passos e atos ainda mais, mesmo quando voltados para o bem?
Não foi em um suposto regime autoritário...
Não foi em um país em pesadelo distante retratado em filmes de ação...
Muito menos em opressões sofridas por instituições, religiões ou conflitos...
Foi em nosso quintal , do lar!

Eu não quero mais uma camiseta!
Não quero nova estampa e modismo de meia dúzias clamando bandeiras brancas mas com punhos fechados!

Não diga magistrado que os que não fazem por lei e pagos por nós, tomamos de direito e realizamos a barbárie!

Não fale professor! Não me conte mestre que é a história do homem!
Foi no quintal da nossa casa.
Entre vozes e nomes, falas e mentiras, olhares por cima do ombro e atrás de teclados, e telas!

Antes eram as pedras, hoje são as vozes.
E o medo? Dizem que foi embora por causa do ódio. Não o suportou mais!
E do ódio, vem a barbárie!

A mãe morreu !
Agonizando por horas, duras e escuras!
Sem poder falar, sem poder entender, sem saber o porquê!
A mãe partiu!

E aonde estão as cabeças dormentes agora? 
Atrás dos teclados? Digitando desculpas, ou escorrendo hipocrisia?



Quem fere agora?
Quem raramente estrangula?
De qual lado caminha a violência?
Habita pelo jeito qualquer coração , ( silencioso, escondendo um lobo ).






De qual lado você está quando ama?








Qual gatilho apertamos todos os dias?


O cachorro aprende a desprezar?

A mula ataca os de furta cor?

A pobreza não pode ser cega!
A educação habita até os insetos!

A mãe morreu com a bíblia bem perto...
Ou com a fruta ofertada.
Sem poder chegar até sua casa!



Não estamos preparados! 

Não estamos preparados para saber exigir nossos direitos, não estamos preparados para discutir com argumentos racionais e lógicos.

Não, não estamos preparados para ouvir, para calar, para denunciar, para investigar, para pensar e refletir. 

Sabemos exigir o pouco, sabemos exigir mas não sabemos apresentar nossos deveres. É esse, uma fração do povo.

Não estamos preparados para repartir!

Não estamos preparados para educar, para informar, pois muitos preferem a pedra, a faca, o arame, o prego e a pólvora!



(Edição do dia 05/05/2014
05/05/2014 14h09 - Atualizado em 05/05/2014 14h09)

Morre mulher espancada por moradores após boato na internet

Caso ocorreu no Guarujá, litoral de São Paulo.