terça-feira, 20 de maio de 2014

SE VOCÊ VAI SE DESPEDIR , POR QUE PASSOU PERFUME?








Ana desligou seu Iphone.

Não quis mais ver  a foto, que era música, que era lembrança, que era sorvete, que era rua, 

que era o carro, que era estofamento, que eram óculos escuros, que era praça Alm. Calixto, que era Avenida Paulista, que era farol fechado e beijo roubado, que era lágrima.

Ana escolheu o medo.
Não o lado errado.

Mas Ana esqueceu de uma coisa.
Passou seu perfume, mas não era encontro, seria despedida!

Então Ana, abraçou seu pequeno amuleto no painel do carro.
O Sol esquentava a tarde, mas não era suficiente.

Não havia trânsito.
Ana não desceu do carro.

O vidro dali para dentro era seu mundo, uma pequena trincheira.

Olhou em seus olhos.

Beijou mais uma vez.

Ana escolheu: o medo.

Olhou os pés calçados naquela bota carmim bonita que ele trouxe de Minas.

E ele não olhou para trás.

Ana chorou, Ana escolheu, não errou, mas novamente ficou ao lado do medo.





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