terça-feira, 10 de junho de 2014

ME ENCONTRA NO MEIO DO CAMINHO



- E aonde poderei te encontrar?
- Você quer dicas? - olhando para mim com seus tons verdes nos olhos
- Talvez não necessariamente dicas.
- Mas se eu as lhe der, você perderá o melhor de tudo.
- E o que seria isso? - insisto.
- A viagem. - sorrindo para mim, tocando meu rosto.
- Mas qual graça tem em estar sozinho na viagem?
- A descoberta Cá, o prazer de fazer o que bem entender, ouvir a música em seu tom, abaixar o vidro quando quiser, encostar na beira da estrada para ver o sol se pôr, ou para sentir o cheiro do capim recem cortado...
- Diz isso com se...
- Sempre! Conhecer você é uma descoberta, mas você não percebe isso. Se estive tanto tempo não é somente por gostar, mas no prazer de te descobrir, quando você silencia, quando você se afasta , pondo as mãos na cintura olhando o horizonte - ergue-se olhando para direita e sol fica bem de encontro com teus olhos, liberando ainda mais teu perfume.
- Mas, sempre poderei te encontrar? - por que insisto tanto nisso?
- Por que temos saudade? - responde com outra pergunta, sabendo que odeio isso!
- E a saudade trás felicidade?
- Como não? - e você caminha para o outro lado da estrada, ficando de frente para mim.
- Mas...
- Mas, o que te incomoda é que sempre estive um passo à tua frente, isso você acha como ninguém!
- Imagina... - certíssima mais uma vez.
- Tá vendo que tem retornos? - e aponta a placa.
- Sim.
- Ignore-os sempre por favor, isso te limitará dando dúvida.
- Tá bem.
- Vem cá. - suavizando o timbre de voz.
- Eu não, estou aqui - encostado no capô do carro.
- Ok - atravessa a estrada e se encosta bem perto do meu corpo.
- Fecha os olhos vai. Quero beijar você...novamente.



( continua )



sexta-feira, 6 de junho de 2014

NÃO?













As relações tornaram-se obsoletas?

Qual o vencedor agora? Aquele que desliza os dedos ágeis no teclado no smartphone?
Ou quem enumera em menor tempo, por quantas pessoas teve em uma noite?
Há algum valor real em ser e estar?

Não me lembro quando as pessoas realmente perderam a paciência de ouvir as outras.
Estão presas a um mundo vasto, amplo, infinito...e virtual.

Alguém aqui ainda escreve com caneta azul, ponta grossa?
Ou dedica-se à tinteiro?

Assustei-me um dia ao escrever de punho próprio e sentir dores na mão...desacostumei de preencher o vazio do papel, com a riqueza da minha vida.

É uma luta desigual? Sentir e expressar-se contra "vestimertar-se" e selfies , que longe são de ser e/ou estar.

O ser está mais bruto do que nunca, e o conhecimento, ( oposto para mim da sabedoria neste caso ), trouxe para si o poder suposto de tudo ter e nada mais precisar, pois para ele, precisar ,e fraqueza.

Cair é fracasso.
Chegar não em primeiro, é capitulação coorporativa , e consequentemente, profissional e pessoal.

Não se ouve mais a criança, presentei-a se com um tablet.

Em tempos breves a chupeta será substituída por um nanochip.

Aonde há espaço para o amor?

Todo ser humano sofre, e dessa dor existencial e natural, virou-se uma neurose em perfeições!
Mas a dor que temos está jogada para dentro do travesseiro, pois não temos mais tapete.
O sono, quando surge, é por efeito do calmante que ingerimos.

E quando surge um ato, que deveria ser normal, de doação, de carinho, espontâneos: manchete!

Se o Amor , que é fonte de vida deste planeta, continuar sendo esquecido por todos nós, o que restará amanhã, serão somente os livros e os belos filmes, os retratos, as pinturas e mais nada!

O problema que a dor , como a tristeza e a frustração no tratado humano, contaminam o ser de tal forma , que as pessoas hoje não acreditam em atitudes de amor e não dão o real valor quando isso realmente existe...