quinta-feira, 30 de outubro de 2014

SOBRE IDIOTAS E SILÊNCIOS

Resolvi fazer um bolo.

Mas para tanto precisei da receita, já que há tempo não testava meus dotes culinários.

Mas mesmo com o papel em riste, faltavam ingredientes.

Além dos ingredientes, faltava-me a noção exata do que colocar em ordem, qual o processo que acarretaria numa massa homogênea ou disforme.

Se ou ia ovo inteiro ou gema?

E a clara?

A farinha de trigo em qual quantidade?

Manteiga ou margarina?

Sal pode?

Quais as medidas exatas?

Quanto a temperatura no forno? E por quanto tempo?

Melhor ver na internet que fica mais fácil...

Mas , e depois caso eu queira reproduzir sozinho?

Terei que ter tudo em mãos? Ou na mente?

Vai fermento?

Rende quanto?


Aqui vemos numa simples receita que temos ter a exata noção de:

Português,
Matemática
Física
Química!!!!

Alguém entendeu a analogia?

Ou preciso ser mais claro?


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

QUANDO ÉRAMOS REIS.


Do doce que vinha dentro do carrinho de empurrar em forma de castelo, verde e cheio de doces e gulodices, saudade das 15:00 em que o Paco passava pela rua com sua buzina.

Convidando a todos nós a correrem alegres e esperançosos para nossas mães a pedir trocados para a compra de balas, paçocas, pipocas.

Essas eram algumas tardes.


Existiam várias, infinitas, quentes e mornas, frias e leves.


Da mãe da Rose que acendia a luz do corredor que dava para a rua, anunciando que ela deveria entrar para casa, tomar banho e jantar.

Da esquina com o Sr. Belmiro, com sua quitanda, e lógico, seus doces!




Sem medo de nos molharmos.
Mas com medo dos trovões que poderiam estourar nossas orelhas,
do raio que poderia seguir nossos passos,
da loira do banheiro na escola,
de não acender vela diante do espelho.






A parede era para ser subida.
A bola, era para ser jogada.
A mamona, era para ser guerreada.





São Jorge estava na Lua, e somente podiamos ver pela tv, através do Sitio do Pica Pau Amarelo.

E apontar o dedo pra lua? Tá doido? Nasce verruga!!!

Depois tem que cruzar com faca benzida para tirar.

E como São Jorge comia? Ele ficava sozinho lá?

Não dá pra ele descer?









Oba, jogar bola! O dono da bola podia ser o maior perna de pau, mas ele era o dono da bola, é claro. então começava assim: eu,,,! e apontava para os outros...

As meninas, treco nojento, deviam ficar em casa e brincar com as bonecas.



Mas para escalar as nuvens e serem delicadas, nada melhor do que elas.
E para fazerem charme, nada melhor do que estar com elas.
Nada melhor do que flores escolhidas, ou salgadinho guardado para elas.





Porque fazia parte de nós sorrir em tudo, para todos e nós mesmos.
Como também a descoberta de cores e sabores, amiguinhos e coleguinhas.

Correr, sujar, cair, ralar, chorar e voltar a fazer tudo de novo.

O reino era de papel ou papelão para os mais abastados.

Os carros de plástico eram aviões e barcos, de acordo com a brincadeira e a imaginação.

Eramos sorrisos contentes.


Os pais, mães, avós falavam, MENINO, PÁRA DE CORRER!

Criança não é surda, mas acha que vai decolar !!!!

E tudo faziamos correndo, com vontade de vento na cara, pois atravessar a rua sozinho era uma honra.

Café da tarde e amiguinhos!! hummmmmm

Éramos reis! De reinos abertos e alegres, sem mandato ou realeza.

Reis de nossas alegrias.
Reis de nossas vidas! Pois escolhíamos aonde pisar e sorrir!





                                              FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!