sábado, 31 de janeiro de 2015

SOPA



Olhe a foto antiga mas não olhe para trás.



Aprenda com os poucos.

Erre menos que todos, mas erra com certeza total.

Caia o mais fundo que puder.

Sinta o gosto da grama, da terra e do asfalto não importando a ordem da dor.

Chore por alguém mas por solidariedade.

Sofra por si mesmo, mas combata.

Saiba que existe somente um único escudo para ser humano neste planeta.

Não entregue jamais seu coração, compartilhe os melhores sentimentos

Tenha músicas somente tuas.



Faça paisagens para você.

Frequente mais seu quarto.

E seja.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

CONSUMISMO









Carlos Drummond de Andrade


EU, ETIQUETA

"Em minha calça está grudado um nome 
que não é meu de batismo ou de cartório, 
um nome... estranho. 
Meu blusão traz lembrete de bebida 
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro 
que não fumo, até hoje não fumei. 
Minhas meias falam de produto 
que nunca experimentei 
mas são comunicados a meus pés. 
Meu tênis é proclama colorido 
de alguma coisa não provada 
por este provador de longa idade. 
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, 
minha gravata e cinto e escova e pente, 
meu copo, minha xícara, 
minha toalha de banho e sabonete, 
meu isso, meu aquilo, 
desde a cabeça ao bico dos sapatos, 
são mensagens, 
letras falantes, 
gritos visuais, 
ordens de uso, abuso, reincidência, 
costume, hábito, premência, 
indispensabilidade, 
e fazem de mim homem-anúncio itinerante, 
escravo da matéria anunciada. 
Estou, estou na moda. 
É duro andar na moda, ainda que a moda 
seja negar minha identidade, 
trocá-la por mil, açambarcando 
todas as marcas registradas, 
todos os logotipos do mercado. 
Com que inocência demito-me de ser 
eu que antes era e me sabia 
tão diverso de outros, tão mim mesmo, 
ser pensante, sentinte e solidário 
com outros seres diversos e conscientes 
de sua humana, invencível condição. 
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro, 
em língua nacional ou em qualquer língua 
(qualquer, principalmente). 
E nisto me comparo, tiro glória 
de minha anulação. 
Não sou - vê lá - anúncio contratado. 
Eu é que mimosamente pago 
para anunciar, para vender 
em bares festas praias pérgulas piscinas, 
e bem à vista exibo esta etiqueta 
global no corpo que desiste 
de ser veste e sandália de uma essência 
tão viva, independente, 
que moda ou suborno algum a compromete. 
Onde terei jogado fora 
meu gosto e capacidade de escolher, 
minhas idiossincrasias tão pessoais, 
tão minhas que no rosto se espelhavam 
e cada gesto, cada olhar 
cada vinco da roupa 
sou gravado de forma universal, 
saio da estamparia, não de casa, 
da vitrine me tiram, recolocam, 
objeto pulsante mas objeto 
que se oferece como signo de outros 
objetos estáticos, tarifados. 
Por me ostentar assim, tão orgulhoso 
de ser não eu, mas artigo industrial, 
peço que meu nome retifiquem. 
Já não me convém o título de homem. 
Meu nome novo é coisa. 
Eu sou a coisa, coisamente."

sábado, 24 de janeiro de 2015

VOCÊ TEM DUAS SEMANAS DE VIDA X VOCÊ TEM 10 ANOS DE VIDA


Não sou a favor da violência , em nenhuma de suas formas, mas as vezes temos que ser mais severos nas repreensões, nas corrigendas, como um Pai amoroso que corrige seu filho no desvio de caráter ou atos...

Vi e acompanhei a comoção de muitas pessoas em diversas mídias sobre o caso do brasileiro, preso no ano de 2004 acusado de tráfico de drogas com a quantidade "pequena" de 13,4 kilos de cocaína!

Renderia no mínimo 3 milhões !!!!


E pergunto, quantas famílias ficariam desestruturadas pelo uso, quantos lares destruidos, quantas mães, pais e filhos afetados? Quantos poderiam morrer ainda sobre a RESPONSABILIDADE?

Até quando iremos tolerar que devemos passar a responsabilidade para o outro e nunca assumirmos nossos atos?

Ninguém pôs o revolver sobre sua cabeça e o forçou.

Sabia da responsabilidade e riscos.

Comoção geral? Não....










Uma pessoa muito próxima a mim recebeu a notícia de que alguém com um câncer avassalador , terá duas, repito, duas semanas de vida.

Um PAI, deixando dois filhos pequenos e esposa!

E qual foi a escolha dele?

O que pensar nestas duas semanas? Toda a sua vida passando entre teus dedos e olhos.

A prostração numa cama, os órgãos que não funcionam bem e a dor de certa maneira amenizada?

Duas semanas. O sol lá fora e teus filhos...

E a resposta deste homem foi chamar os seus.

Reclinar o espírito e aceitar a Vontade.

Aproximar algumas pessoas e pedir perdão!

Reconhecer algumas faltas e sinceramente pedir o perdão que liberta qualquer consciência.

Ele quer seguir em paz.

02 semanas que encerram neste fim de semana.

Penso eu aqui nestas duas prisões e nas escolhas de cada um.

Porque, sempre temos escolhas,

e com elas, respostas e colheitas.

Que partam em PAZ.

Que possamos refletir sobre a brevidade da vida.

OLhar para nossos filhos e pais e saber que estamos emprestados nesta existência.

Saber que somos atemporais, mas as escolhas terrenas nos fazem temporários.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

AMIZADE







Quando Deus pegou essa massa incandescente e fez todo o Universo foi uma maravilha só.

E fomos evoluindo a passos bem lentos.

Mas o mais incrível é que ele nos proporcionou uma das coisas mais maravilhosas que um ser humano pode ter , desejar e transmitir ao outro:    A AMIZADE

E não me refiro a esse descrição pequena demais.

Eu me refiro ao abraço apertado que contem a lágrima,

a taça de vinho posta sobre a mesa, derramada com os melhores desejos,

ao telefone que toca longe pedindo um socorro,

a lembrança de estar em algum lugar e ser lembrado nem que por um grão de areia que seria a tua cara.



Esse laço tangível que dá nó na garganta quando achamos que poderá se romper...

Mas esse laço tangível que sentimos quando alguém especial torçe, ora , vibra mesmo distante,

mesmo ausente, mesmo presente, sem se entregar e dizer que : Ei, fui eu!

Essa coisa que é melhor que fotografia, pois deixa grafado na alma a maior importância de todas, que é amor atemporal por você

Essa sacada de Deus em nossas vidas, como esse Pai e amigo eterno foi a melhor coisa posta ao homem, ser tão isolante, isolado e temido.

É uma energia, que você pára o que faz e diz, está pensando em mim , e é exatamente isso.

É esse amor , muitas vezes silencioso mas que está ali, pronto para o abraço ao vivo e a cores

ou por telefone, telegrama. email, whats up, torpedo, skype, etc etc etc.

É uma coisa que nos faz abrandar todo mal do mundo,

que nos tras de volta à realidade de que EI ESTOU AQUI!

E o que seria de nós, sem os amigos de perto ou longe,

negro, branco, pardo, mulato, transparente, ateu, católico, agnóstico, budista, espírita, cristão, umbandista, do candomblé, ortodoxo, islâmico, judeu, homem, mulher, criança , cachorro etc etc etc etc??????


O que seria?

Que gosto teria a vida e que gosto seria a minha vida?


Meu muito obrigado pela lembrança e data.

Com amor

Poeta, Carlos, Caíque, eu! 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

TDHA - INFÂNCIA TOMO I



O sino bateu anunciando a aula, e mais um dia.

Formação em fila , algumas conversar e seguir até `a sala.




Livro aberto sobre a mesa, caderno, caneta, lápis

E a aula de matemática correndo solta, professora empolgada, daquelas que não se encontram mais.
Álgebra . E olhando pela janela com as cortinas recolhidas viu um sol maravilhoso.

A mente foi muito mais rápida.
Viu o sol, o mar, a praia, e um Mustang P-51 sobrevoando a costa.


E lá comandando e acertando o manche com a mão direita ia ele olhando por cima , capota sobre sua cabeça, procurando alemães e o trem que deveria estar por estas bandas...
Deu um looping e desceu rasante sobre o mar, vendo o brilho das ondas esverdeadas do mar do norte.
Longe viu crianças em uma casa simples, modesta, que acenaram para ele, contentes talvez, ou, porque nunca tinha vido uma aeronave daquelas.

- Carlos!
- Caaaarlos!
Piscou assustado.
- O que foi que eu perguntei agora?
- Hã professora?
A sala inteira ri.
A professora não ri, mas contrariada chama a atenção dele .
O garoto se fecha, calado e rabisca em seus cadernos, sempre gostou de escrever, mas isso não era coisa para menino.
Recebe uma canetada na cabeça e lá vão começar a caçoar dele de novo.
- Ou você aprende esta matéria ou vai apanhar de mim se na prova eu não souber...
Suor e nervoso, tenta prestar atenção.
O pézinho não para  um minuto na carteira, misturado ao medo de apanhar, lógico que o outro "colega" tinha o dobro do tamanho dele.


E ficou lá para o martírio da aula, esperava mesmo ciências, desenho, português e redação. aonde era o rei da sala de aula, com seus contos que todos adoravam ouvir...
Eram poucos momentos, mas felizes para ele, que ouvia música clássica e também sertanejo de raiz, adorava ficção científica e queria ser piloto de avião ou detetive por causa da série Columbo.

( continua )

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A CANETA É MAIS PODEROSA QUE A ESPADA








Desde muito tempo que ainda vemos exemplos na dor e no medo.

Muitos tentaram mas poucos persistiram em escrever, relatar e denunciar.



Muitos calaram-se não pelo medo, mas pela morte dolorosa e potente sobre seus corpos, mas nao em suas mentes.

O homem vem matando com golpes de espada, mas mesmo a letra, antes morta, persiste como idéia por muito tempo como carvalho no tempo.



A violência que hoje assistimos como em um video game, assusta e choca pois é um simulacro.

É estranho e triste ver que estão tentando de qualquer forma calar as vozes de tantas pessoas, ou através da música, da escrita, do verso, da poesia, do desenho...

Mas devemos resistir, em silêncio colorido, nas escritas e palavras, letras e simbolos.

Até onde? 

Até onde nossos filhos ou netos e netas continuarem a pegar um carvão ou lasca de pedra e desenhar.


THE PEN IS MIGHTIER THAN THE SWORD




For a long time we still see examples in pain and fear.

Many have tried but few persisted in writing, report and report.

Many were silent not by fear, but by painful and powerful death on their bodies, but not in their minds.

The man has been killing with sword blows, but even the letter before dead idea persists as long as oak in time.

The violence today watched as in a video game, scares and shocks as it is a sham.

It's strange and sad to see they are trying in any way to silence the voices of so many people, or through music, writing, verse, poetry, drawing ...

But we must resist in silence colorful, and the written words, letters and symbols.

How far?

As far as our children or grandchildren continue to take a charcoal or piece of flint and draw.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

DRA. MARLENE NOBRE



Algumas vezes em nossas vidas, pessoas sutilmente tornam-se mais do que amigas, representam temporariamente pais ou mães...

E a senhora é mãe, de muitas pessoas, aqui, deste lado, e do lado de lá...

Lembro bem da primeira vez que a conheci, e das outras , em que me ouviu atentamente, dando conselhos de mãe, carinhosos, sinceros e firmes.

Vejo em minha mente as palavras proferidas nas palestras e nos papos.

...nos temas e nos livros.

Olho agora para a bancada, vazia...

E vejo agora o sorriso da tia Ida abraçando a filha também querida, de volta à Pátria do Espírito.

Ouço ainda as frases e os alertas, os causos do Chico, as mensagens, e tanta, mas tanta coisa.

E fica aqui somente meu pequeno e humilde muito obrigado!

E que possamos um dia, quem sabe, acima daquele morro esverdeado que a senhora disse reconhecer todos do grupo, em trabalho ativo no Bem.

Vá em paz Dra, de encontro aos teus!

Até Sempre!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

TDAH







Olho agora para lá fora, para a janela do quarto, esperando que o primeiro comprimido de rivotril faça efeito...

Olho para minha r.g. que está perdida sobre a mesa entregando-me a idade, olho para o currículo novamente a ser elaborado.

Olho para a tela deste computador, para o depakote e para histórico da universidade, jubilada...
E como tiro de misericórdia, olho para as tantas fotos que tirei da minha (ex) namorada!

E viva 2015!

E viva os projetos não realizados ( não foram largados ou abandonados )



E viva para os relacionamentos que eu busquei resolver a carência que era somente minha em pessoas que nada podiam e não queriam partilhar.


E viva ao montante de rótulos adquiridos durante a existência: preguiçoso, lerdo, incapaz, vagabundo, desleixado, mentiroso, violento, fresco, coitadinho, vagaroso, burro, inconsequente, desligado, gastão, irresponsável, mulherengo etc...



E viva o olhar vazio para o nada.

E viva para a mente que não desliga.

E um salve para a incapacidade de mostrar que você é mais do que uma promessa não realizada!



E obrigado aos que nunca me entenderam. E supunham saber mais do que a minha própria essência.

Aos que riram da desvantagem, aos que não acreditaram, aos que duvidaram, aos que se afastaram, aos que não quiseram entender, aos que não quiseram estar ao lado...meu obrigado.



Ao amor que supus saber me entender, ou querer me descobrir...



Ao que disse sem pensar, ao que explodi sem mesmo entender, ao não saber entender, ao esquecer, ao olhar para dentro, ao não poder dizer - eu não sei porque fiz isso, ou porque falei isso, ou agi assim, assado -








Eu simplesmente estou tentando me encontrar...nem que seja sozinho, mas quero sair deste planeta com a minha alma resgatada!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

FRIENDSHIP





Cláudia está sentada à beira da sacada, deixando que o vento bata em seu rosto.
E eu acredito que seja para evaporar as lágrimas que rolam suavemente.
Eu prefiro não me aproximar.
Prefiro ficar ali olhando em silêncio enquanto ela se despede do sol.
Amizade às vezes dói.
Não que se perca, mas ver uma pessoa tão querida ter que ir...

Cláudia é a irmã que não tive.
É aquele ser chato que não desceu do céu com a missão ou de bater em mim por ser caçula, ou filho único, ou por mostrar que - Ei! - eu mando aqui neste quarto !



Cláudia é aquele ser que sabe aonde estão meus olhos,
entende aonde meu coração exatamente se encontra.
Sabe o porquê dos pedidos nos restaurantes,
do tipo de filme que a gente assiste pela 30ª vez.

Cláudia não quer partir para outra cidade.
Pois o que espera de si não é suficiente.
Espera algo de mim, algo que não posso ofertar.
Essa liberdade, é somente dela.

Eu amo a Cláudia, essa minha irmã !
E ela tem medo de deixar o mais velho para trás.

O que seria do ser humano sem esse lanço invisível que nunca se rompe?
Daquele ser que ri nas alegrias e nos ampara em nossas tragédias diárias?

Bela forma de eternizar a vida, pelos breves momentos de alegria e amor que nos proporcionam os verdadeiros e leais amigos.

Cláudia deixou a mala pronta.
Agora no táxi ela nada diz, somente pousa sua mão alva sobre a minha.
E permanece com o rosto apoiado em meu ombro, deixando a lavanda invadir o colarinho da minha camiseta.

Quanto tempo estamos abraçados?
O check-in já se fez.
Eu enxugo bem os olhos desta irmã.
Olho bem em seu coração e sussurro em seu ouvido uma frase que ouvi há muito tempo.

Ela chora ainda silenciosamente mas com orgulho de poder fazer parte da minha vida.
Ah minha teimosa!
Abraço e digo que está na hora de crescermos e que esse laço não se rompe, temos a tecnologia a nosso favor.

O alto falante anuncia.
Afastando de mim, posso observar que agora você deve ter a coragem suficiente e deixar que teu irmão siga em frente.

Atravesso o guichê, olho para minha passagem em punho e sei que nossas vidas nunca mais serão as mesmas.



O avião me espera.
Não houve despedida.
Por isso eu falo duas palavras:

Até Sempre!






Claudia is sitting on the edge of the balcony, letting the wind whip in his face.

AND I believe that is to evaporate the tears that roll smoothly.
I prefer not to try to get closer.
 I'd rather stay there looking in silence while she bows out of the sun.

Friendship sometimes it hurts.
Not to be lost, but to see a person so dear have to go ...
Claudia is the sister that I have not. 
IS that be boring that does not come down from heaven with the mission or hitting me for being youngest, or only child, or to show that - Hey! - I mand here in this room!

Claudia is that be who knows where are my eyes, understands where my heart exactly is.

You know why the requests in restaurants, the type of film that everyone attends the 30TH time.

She does not want to get to another city.
Because it expects of you is not enough. 
Expect something from me, something that I cannot offer. 

This freedom, is only it.
I love Claudia, that my sister ! AND she is afraid to leave the old behind.

Claudia left the suitcase ready.
Now the taxi she says nothing, only touches your hand alva on my.
AND remains with his face resting on my shoulder, leaving the lavender invade the collar of my shirt. 

How long we have embraced?

The check-in has already been done.
I whereupon the eyes of this sister. 

Eye well in his heart and whisper in your ear a phrase that I have heard for a long time.

She still cries silently but with pride to be able to be part of my life.


The airplane awaits me.

There was no farewell.

For this reason I speak two words: Up Always