segunda-feira, 23 de março de 2015

AO SE FAZER MÃE

...tive que traduzir a tradução que veio do Rizzo...um pequeno diário, guardado pela mãe do pequeno, aonde retrata sua descoberta:
mamães, peguem a caixa de lenço...


Por estar incomodada com os resultados do projeto realizado para o centro de desenvolvimento , resolvi sair pelas ruas , para diminuir a sensação de frustração. E percorri as ruas com pedras pequenas e seixos no gramado.
Parei uma vez mais e como de costume, pedi minha matinal de leite e café, acompanhada de um waffle com baunilha.
Após a primeira mordida, senti algo estranho, um estranhamento não de mal estar, mas um estremecimento, um arrepio e uma sensação que nunca havia passado.
Sim, continue pelo menos o pouco do café, mas deixei tudo ao meu lado, olhei para o noticiário, algumas pessoas em torno, mas senti que deveria sair dali.
E o fiz, resolvendo voltar o caminho , não para o estúdio, mas para casa.
E esse estranhamento fez-me parar em frente ao boticário antigo daqui.
Olhei para dentro, como se sentisse que deveria entrar. Como se alguma breve mão me conduzisse para após a soleira azul. E assim o fiz.
Minutos, e estava em casa.
E sentia-me angustiada e com ansiedade.
Abri a caixa com extrema angústia, trêmula e fui para o banheiro.
Sentia a pulsação na garganta e no pescoço como se o coração quisesse subir aos olhos e ver o que ocorria de fato...
Alguns minutos e a vareta com dois pontos vermelhos...
Grávida.
Sentei ao chão, e não ouvi som algum do mundo lá fora, tudo ficou em completo silêncio.
Fechei os olhos e senti algo que nunca mais sentiria.
Senti um breve toque em meu ombro esquerdo, como uma palma de mão sobre ele, não quis abrir os olhos e comecei a chorar.
Não choro de tristeza, mas de respeito e emoção, nunca sentida antes.
Levantei de olhos ainda fechados e os abri, olhando pela janela e vendo a cidade...
grávida!
Daquele momento em diante, eu nunca mais pensaria em mim, mas em NÓS!
Daquele momento em diante, éramos DOIS, para todo o sempre!
Seu nome será Andrea. ! E eu, sou tua MÃE!
Sthepanie Gianc

sábado, 14 de março de 2015

MEU PAI PARTIU

Pai e Filha


(para a minha amiga, e para seu pai!)

Às vezes a partida é justamente o tempo exato de uma conversa breve.
Daquelas despretensiosas caminhadas até algum lugar, 
e não retornar mais.

Ou a sensação de correr tanto, mas tanto e não ter tempo do último abraço, e ouvir - ele acabou de ir! quem sabe, se você correr você o pega na esquina... - mas não pega.

Por isso Deus além de dar um pouco de si, como Amor, criou o abraço! - essa coisa que pode caber o mundo todo em questão de segundos; como porto seguro, ou como um até breve.

Papai voltará para casa, nos olhos dos que ficaram, na bondade de quem conviveu, nos risos fáceis, nas conversas, no sorriso.

Papai agora encontra a Eli, que a espera e a encaminha de encontro aos seus, antecipadamente prepara a "casa de toda família".

Essa partida temporária, como um lenço solto depois que o carro parte, dá uma dorzinha lá dentro, mas tem tanto amor que deixou, que esse amor , que é carinho perene e bom, sempre e sempre , irá acariciar e acalmar os rostos das filhas, netos e esposa.

Que Nosso Pai Maior conforme com serenidade essa passagem , não do pai que parte, mas da família que ainda aqui fica.

Que Luz e paz sejam em vossos caminhos

Perdoe-me por não estar presente ao lado de vocês neste momento, não o pude em melhor de meus esforços!

Mas o coração vibra aqui paz, amor, alegria e calmaria a todos!

Poeta.

(legenda da foto - Pai e filha )

A DIFÍCIL ARTE DE ERRAR






Franquiamos o amor.
Alugamos as passagens das mãos.
Patenteamos o " se cuida ".


E por tanto não querer errar, o esforço do homem tornou-o escravo.
Aceitamos amar com a fórmula perfeita do remédio sem contra-indicações.



O amor tem que ser na hora que caiba na agenda do celular,
tem que ocorrer no intervalo do almoço ,
não pode ser em dias frios ou mornos,
deve possuir visão européia de comercial,
não deve levar tempo.

Franquiamos o amor.
A marca está em desuso.
As prateleiras são vazias de sensações,
e carentes de verbo.

Todos querem comprar o " feito" e sem defeito.
Não se tem tempo para corrigir, a negação é a voz que impera através de celulares.
A distância entre espírito, e essência é tão grande que abarca o horizonte.
Muitos choram, até mesmo sem saberem o porquê ...

As lágrimas antigamente tinham a função fisiológica de lubrificação do globo ocular,
e libertar a dor, passageira ou não, da alma.

O relógio não rege mais os encontros.
O imediatismo criou escravidão da velocidade sem o julgamento dos sentidos.
Vive-se por viver mas sem saber ...

Franquiamos o amor.
Esse perfeito estado que nunca será mutável.
Desejamos por posse essa perfeição, sem o mínimo esforço da luta.

E tu não me entendes até agora?

Por não querer errar, as pessoas optam por nem tentar.
Tentar é erro, tentar envolve sair da sombra, entrar na chuva, cair no asfalto,
quebrar a boca, rachar o lábio, apanhar nas costas,
sentir desprezo, sentir frio no verão,
calor no inverno,


despedida ,
chegada,
telefone mudo,
cachecol com perfume ainda,
café ,
foto em preto e branco,
medo de perder,
alegria de ganhar,
descobrir-se
chorar,
boca amarga, boca quente
boca sentida,
lábios silenciosos
coração na boca,
no estômago,
no travesseiro...
Caminhar sem rumo,
atravessar a neblina,
não ser ouvido(a),
ou ser entendido,
dar, doar, emprestar ou perder.

Essa é a difícil arte de errar.

parte 01

sexta-feira, 6 de março de 2015

QUANDO A AMIZADE DÓI.




"... e parada de frente para minha porta, ajeitou a franja, esticou o braço e fez menção de bater a porta...Mordeu os lábios e quando olhou para os lados, resolvi me esconder na escada.

Cláu não soube o que fazer, não sabia que eu estava em casa, ou que a vira na cobertura, olhando para o dia cinzento, para o norte da cidade, ali, aonde teimo olhar para a Serra da Cantareira.



O misto talvez de raiva, ou tristeza a fez parar por longos segundos, da mesma forma que fiquei quieto, com olhos calados sem querer ser visto.

A saia verde comprida, detalhada de rendas, linda como esmeralda, o rabo de cavalo, e o perfume misto de mineral e toques de madeira.

Cláu respirou e abaixou a cabeça, rendida talvez por qual sentimento?



Desceu as escadas lentamente, enquanto me dirigi a porta e abri com o cuidado de não fazer barulho..."


Capítulo 06