quarta-feira, 26 de outubro de 2016

ALESSANDRA




A vida é também esse grande amontoado de horas...

E em algumas delas , que já nos visitaram a porta ou o travesseiro , deixam recados em nossa alma ou coração.

Beto novamente sentado ao banco olha as letras que caem à sua frente.

...é letra de música, são letras escritas digitalmente, são sentimentos diversos.

Beto respira fundo, buscando no silêncio , um refúgio temporário para entender.

Ele sente muito bem seus sentimentos internos, e sabe que não causará mal algum às pessoas que ama e admira.

Dentre essas tem uma em especial.

Beto teve muita dor de garganta pela sua vida...

Talvez porque acreditou que o silêncio poderia falar muito mais,

ou porque não dosava às vezes a voz que vinha de dentro, vindo em tom de alegria, som e fúria.

Algumas vezes eram as gripes , eram os ossos que doiam, ou o cabelo que caia.

Beto, quase sempre em seu silêncio.

Resolveu pelo menos dizer talvez não o que sentia, mas o que não sentia, o que não lhe cabia, o que não lhe pertencia.

E assim a voz de dentro representou .

Beto olha para o vento no rosto, a garoa que bate na cara, e a vontade de dizer com doses de carinho, respeito e ternura palavras para Alessandra.

Mas, ele sabe que o coração é sincero e nunca ofensivo. E deixa claro em sua objetividade sobre sua história de vida e não a dos outros, pois ele mensura e sabe de sua dor, e somente imagina e respeita a dor alheia.

Beto ficou ali, no banco.

Não esperando. Mas ...

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